O desejo de fazer esse blog já vem desde 2005 quando uma amiga me disse pra eu escrever tudo que estava acontecendo em minha vida. Confesso que escrever e ler não são meus hobbys prediletos, tanto que criei o blog já faz quase 1 ano e não escrevi nada.... estava esperando uma inspiração, rsrs.
Pensei muito no que escrever mais até pra entender o porque dos meus pensamentos e das minhas palavras, resolvi fazer um resumo do que vivi até aqui.
Essa história começa em 26-02-05, no dia mais feliz de minha vida, quando nascia a minha filha, enquanto vivia aquele momento único, nem imaginava o que estava por vir.
A gravidez foi ótima, sem problemas, meu bebê era saudável e foi gerado com muito amor e foi muito desejada desde o início.
O parto foi agendado por minha vontade.
Porém no momento da cirurgia (cesariana), aconteceu que a anestesia não tinha causado o efeito esperado.
Então após o susto, e com uma nova aplicação foi dado continuidade ao parto, que ocorreu normalmente.
Após alguns dias depois do parto, começaram a surgir dores fortes na região lombar, o que logo foi relacionado ao acontecimento durante o parto, e com 1 mês de resguardo notei que estava perdendo a força muscular, foi quando comecei minha correria aos médicos.
Foram dias intensos, cansativos e de muito temor por não entender tudo o que estava acontecendo, até que após vários exames, por último foi pedido uma ressonância magnética da coluna, onde acusou a presença do tumor na coluna lombar.
De imediato fui encaminhada à um neurocirurgião que após um atendimento frio e insensível, agendou minha cirurgia para alguns dias depois, até então não sabia que se tratava de um tumor e nem de sua gravidade.
Aceitei o fato da cirurgia mesmo com muito medo dessa situação desconhecida e sem respostas, mas minhas esperanças em ficar curadas eram tão grandes que não exitei em nenhum momento, mesmo não tendo gostado do jeito frio que aquele médico me atendeu.
A burocracia com o plano de saúde era tanta que a cirurgia foi adiada, quando então meu marido tinha ido ao hospital onde já havia trabalhado há algum tempo para resolver problemas no banco, quando encontrou com uma amiga e contou minha situação, ela rapidamente procurou ajuda e lhe indicaram um cirurgião do hospital que ouviu a minha história e pediu que me levassem até ele.
Foi quando eu soube realmente do que se tratava, ele me atendeu com todo a atenção que eu e minha família precisavam naquele momento tão difícil, e me deu todas as explicações que eu precisava. E através desse atendimento resolvi fazer minha cirurgia com ele e sua equipe.
Uma semana depois estava sendo internada para a primeira cirugia, dia 28 de abril de 2005, minha filha acabava de completar 2 meses de vida e eu estava ali lutando pela minha vida.
A cirurgia foi extremamente longa, durou cerca de 13 horas, e quando saí da sala de cirurgia, a única coisa que sentia era uma dor intensa, inexplicável, minhas pernas pesadas e moles.
O pós-operatório foi muito difícil, delicado e doloroso. As dores eram tantas que chegava a delirar, não suportava que ninguém tocasse em minhas pernas, nada resolvia, era preciso esperar o corpo reagir.
Após 11 dias de internação, voltei para a casa de meus pais, onde já estava “morando” desde o nascimento de minha filha. Era véspera do dia das mães, o meu primeiro, e foi tremendo estar junto de minha filha e de minha família após tantos dias longe.
Agora eu me preparava para enfrentar as intermináveis sessões de fisioterapia, era o único tratamento para me devolver os movimentos das pernas que foram perdidos, não conseguia nem mais me levantar, estava presa à cadeira de rodas.
Mas Deus me dava condições de suportar toda essa condição, e me dava forças para lutar.
E por volta de 6 meses de fisioterapia, eu estava novamente de pé e andando, ainda com um pouco de dificuldade, mas estava andando, e isso foi uma grande conquista.
No ano seguinte voltei ao trabalho. Nada era como antes. A dor fazia parte do meu dia-a-dia. Já estava acostumada, porém não me impedia de continuar com meus objetivos de se ter uma vida normal.
Tinha vencido essa batalha. Mas a guerra não tinha terminado. Ainda havia resíduos de tumor em minha coluna, e após uma ressonância de rotina, foi observado que os resíduos estavam crescendo, então eu deveria refazer a cirurgia. E aproveitando o procedimento seriam colocadas algumas próteses para correção da coluna.
E no dia 14 de fevereiro de 2008 eu estava me internando para mais uma etapa, mais uma batalha dessa guerra.
A cirurgia mais uma vez foi extensa, com 13 horas de duração, e não foi possível colocar as próteses por causa da demora. Que etnão foi agendada par 5 dias depois. Durante esse tempo fiquei totalmente parada, sem levantar, sentar, mau podia virar de lado nem usar travesseiros, pois minha coluna estava solta em meu corpo, aguardando a colocação das próteses.
A segunda cirurgia aconteceu no dia 19 de fevereiro, e foram longos 11 dias de internação.
Mais uma vez eu iria enfrentar as longas sessões de fisioterapia, depois hidroterapia, e tudo que se tem direito.
Hoje ando com auxílio de uma muleta. Não voltei mais ao trabalho, mas voltei para minha casa e retomei parte da minha vida normal.
A cada dia é mais uma vitória, mais um dia de batalha, porque desta vez as sequelas não foram completamente curadas. Com isso eu digo que a todo momento eu travo uma batalha entre a tristeza e a felicidade, pois ao mesmo tempo que minha condição física me faz lembrar as minhas perdas, eu lembro que tenho um Deus que me sustenta, uma família que me ama e uma vida pela frente.
É assim que tem sido, e vai ser assim até quando o Senhor quiser, pois desde o dia em que entreguei minha vida à Ele, tenho certeza de que tudo que acontece é de sua vontade, e de sua permissão.
Peço ao Senhor que me ajude, a ver com os olhos espirituais, tudo aquilo que Ele tem preparado para mim, que como sua palavra diz, “É infinitamente mais do que pedimos ou pensamos”, Aleluia!!!!
Deus nos abençoe!
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